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A marca da Z

Os motoristas profissionais brasileiros são homens de meia-idade. O perfil é detectado por pesquisas e confirmado pelos Recursos Humanos das empresas de transporte. A turma dos cabelos grisalhos tem ainda “muita lenha para queimar”, mas o futuro do negócio depende da renovação dos quadros a médio e a longo prazo. Quando chegar a hora, talvez a transição não seja de pai para filho, como ocorria antigamente.

Essa é uma das questões enfrentadas pelo Projeto Aplicativo “O desafio de atrair e reter o jovem da Geração Z para o cargo de motorista no transporte rodoviário”. O estudo foi apresentado no âmbito do Programa de Especialização em Gestão de Negócios do ITL (Instituto de Transporte e Logística). Oferecida desde 2013, a formação conta com apoio do SEST SENAT e conteúdo ministrado pela FDC (Fundação Dom Cabral). 

Para entender essa transição geracional, os alunos da 14ª turma de gestores foram a campo. Primeiro, elegeram como case a Saritur, empresa de transporte rodoviário de passageiros. Com uma frota de 2.278 veículos e um quadro de 9.825 colaboradores, o grupo mineiro já adotava uma gestão de pessoas mais atrativa para motoristas jovens e pouco experientes. Nesse universo, foi aplicado um amplo questionário, que ajudou a traçar um perfil dos chamados Centennials. Afinal, quem são eles? Pelo que se interessam? O que têm a agregar?

Nem X nem Y, a Geração Z (ou Centennial) compreende os nascidos a partir de 1995. Nativos digitais, eles se relacionam com a tecnologia sem qualquer esforço e têm valores que os distinguem dos antecessores. São “dinâmicos, exigentes, tolerantes a diversidades, imediatistas, críticos, impacientes, preocupados com questões ambientais e ansiosos por mudanças”, aponta a pesquisa. Além disso, repudiam horários pouco flexíveis e têm dificuldade de lidar com hierarquias.

“Partimos da noção de que os filhos de motoristas não têm a ambição de seguir os pais nem demonstram a mesma lealdade pela carreira”, conta a orientadora do projeto, Shirlene Ribeiro, professora associada da FDC desde 2002. “A partir daí, pensamos como os programas do SEST SENAT e a aproximação com a família poderiam incentivar esses jovens. Sabemos do preconceito deles, de achar que vão ficar ‘presos’, quando, na verdade, existem histórias empreendedoras muito bacanas também”, defende.

As entrevistas ajudaram a identificar preocupações e prioridades típicas dos Centennials. Por exemplo, eles esperam ser premiados quando o desempenho em uma tarefa supera a média. Na mesma linha de raciocínio, eles querem oportunidades de crescimento e desenvolvimento – e aí entra o SEST SENAT, cujo portfolio de cursos é um verdadeiro trunfo para os empregadores. Cada vez mais, o universo do transporte exigirá educação continuada e a reciclagem periódica. Trata-se de uma tendência que veio para ficar.

Gustavo Falleiros