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Conhecimento estratégico

As transformações pelas quais passa o mundo despertam a atenção também do setor empresarial. Os modelos de negócios de 20 anos atrás já não são mais sustentáveis, e as técnicas habituais de administração não conseguem acompanhar as inovações do mercado. Nesse cenário, o volume de informações que tem circulado pelos inúmeros canais existentes impõe um novo desafio para as empresas: a utilização estratégica dos dados para a tomada de decisões.

“Coletar, estruturar e analisar dados está se tornando uma exigência para organizações que querem se preparar para o futuro com competitividade. Saber identificar quais deles são relevantes e como utilizá-los para gerar inteligência, resolver problemas e agregar valor ao negócio pode ser o diferencial para as empresas”, afirma o professor de engenharia da Universidade de Stanford, Ram Rajagopal.

Na visão dele, quem não está preocupado com isso ficará para trás e, mesmo que a organização ainda não tenha formas para estruturar e analisar os dados, é fundamental começar a coletá-los desde já. O pesquisador explica que, hoje em dia, há a necessidade de tomada de decisões de forma sistemática dentro das organizações e, utilizar os dados é uma forma de sistematizar a inteligência e o processo de decisão. “Em última instância, quem toma a decisão é o ser humano, mas as ferramentas podem dar a ele mais oportunidades para entender a situação, as opções e a possibilidade de quantificar, talvez, os potenciais resultados das decisões a serem tomadas”, explica ele.

O tema integra os conteúdos programáticos das especializações oferecidas aos gestores do transporte, promovidas pelo SEST SENAT e coordenadas pelo ITL dentro do Programa Avançado de Capacitação do Transporte. São três cursos: Especialização em Gestão de Negócios, ministrada pela Fundação Dom Cabral; Certificação Internacional Aviation Management, ministrada pela Embry-Riddle Aeronautical University; e Certificação Internacional em Gestão de Sistemas Ferroviários e Metroferroviários, ministrada pela Deutsche Bahn Rail Academy.

“Essa busca pelo entendimento das informações e pelo que elas podem propiciar faz parte do cardápio de conhecimento oferecido nas salas de aula dos cursos do ITL. Em um mundo conectado e acelerado, com um grande volume de informações circulando, a análise de dados é imprescindível para o sucesso de uma empresa. Isso é estratégico para aperfeiçoar a tomada de decisões”, destaca o diretor-executivo do ITL, João Victor Mendes. 
Em relação à forma com que a coleta e a análise de dados podem contribuir para a prestação de serviços e para o desenvolvimento do transporte, o professor da Universidade de Stanford, Ram Rajagopal, cita que a atuação pode acontecer em vários segmentos, desde a administração da rede de trânsito, para melhorar a fluidez, até a criação de novas oportunidades de negócios, novos serviços e novos modelos de parcerias.

Para o doutor em filosofia de negócios e professor de sistemas de informação do Departamento de Economia, Finanças e Sistemas de Informação da Embry-Ridle, Kiljae Lee, é praticamente impossível para qualquer organização preparar e planejar seu futuro sem pensar em dados. De acordo com Lee, os dados melhoram as decisões e a eficiência operacional. “Na última década, o crescimento exponencial dos dados é chamado de Big Data Problems, que é frequentemente descrito em termos de 3Vs (volume, velocidade e variedade). Em outras palavras, o desafio do Big Data é uma mistura da quantidade crescente (volume), da velocidade de atualização (velocidade) e dos tipos de dados (variedade) que ameaçam ou excedem o paradigma de gerenciamento de dados existente com base no banco de dados relacional”, explica. Lee ainda destaca que, entre os maiores contribuintes desse rápido aumento de dados, estão as máquinas e os equipamentos, como GPS, câmeras e sensores que continuam a gerar e armazenar dados em todos os lugares. Segundo ele, as empresas que não se prepararem podem sofrer com a questão de não terem nenhum dado e outras podem ter problemas com dados ricos, mas informações pobres. “Um processo mais moderno não é necessariamente a melhor pergunta para todas as organizações. A seriedade dos programas 3Vs varia dependendo da empresa e da indústria. Em algumas organizações, a questão não é tão séria e urgente. Assim, uma empresa deve começar diagnosticando seu próprio desafio Big Data relativo ao seu setor.”


Carlos Teixeira