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Conheça o Design Sprint, método para criar e testar ideias em cinco dias

Uma das maiores autoridades mundiais em criatividade e resolução de problemas, o americano Jake Knapp participou, em São Paulo, do HSM Leadership Summit, que contou com o patrocínio da CNT (Confederação Nacional do Transporte) e com o apoio do SEST SENAT e do ITL (Instituto de Transporte e Logística).

No evento, ele apresentou para líderes das maiores empresas brasileiras os fundamentos de sua metodologia Design Sprint. Knapp desenvolveu esse processo revolucionário, que tem como objetivo testar e aplicar ideias em apenas cinco dias, quando trabalhava no Google. De lá para cá a técnica se alastrou e hoje é utilizada por empresas de áreas distintas. 

Nesta entrevista exclusiva, Jake explica como as empresas podem testar um novo produto ou serviço com agilidade e, ao mesmo tempo, economizar dinheiro.

Você pode explicar o que é a metodologia Design Sprint?


A ideia do Design Sprint é assumir um grande problema ou um grande desafio, coisas que muitas vezes atrapalham as empresas ou que fazem com que elas acabem pegando o caminho errado, desperdiçando muito tempo e dinheiro. Com o Design Sprint, você inicia esses grandes projetos, esses grandes desafios, com uma fórmula: você usa uma lista de tarefas. Junte uma equipe de cinco ou seis pessoas e, ao longo de uma semana, vocês seguem um roteiro pré-determinado de etapas. Na segunda-feira, façam um mapa do problema juntos; na terça, cada um esboça sua própria solução para o problema; na quarta, a equipe usa um processo para decidir quais dessas ideias são as melhores; na quinta, vocês constroem um protótipo; e na sexta-feira testarão o protótipo com o público-alvo. Então, é quase como se você tivesse uma máquina do tempo e avançasse rapidamente para o futuro, para simular como seria produzir o produto dessa maneira. É uma forma de as equipes entenderem se estão no caminho certo e seguirem com confiança, ou mudarem rapidamente de direção e encontrarem o caminho certo antes de cometerem um erro.

E qualquer empresa pode usar essa técnica ou ela só funciona no setor de tecnologia?


Qualquer empresa pode muito bem usar o processo de Design Sprint e isso é uma das coisas que realmente me surpreenderam no começo. Eu desenvolvi essa metodologia enquanto trabalhava no Google. Eu trabalhei lá por dez anos e, nos primórdios do Design Sprint, eu pensei que era algo que funcionaria apenas para software, e provavelmente para software usado por pessoas comuns, não para especialistas ou pessoas com necessidades muito específicas. Mas essa ideia foi desafiada quando fui trabalhar no Google Ventures, onde passei cinco anos. Lá eu tive que trabalhar com startups muito diferentes, porque estávamos investindo em todos os tipos de empresas: de saúde, que trabalhavam com produtos para agricultores, que construíam equipamentos, que vendiam café... Então eu usei o Design Sprint, porque era tudo que eu tinha. E acontece que funcionou. Eu acho que a razão pela qual qualquer empresa pode usá-lo é que esse processo não tem somente a ver com design ou com agilidade, mas, sobretudo, com a solução de problemas. E essa necessidade de resolver problemas, essa necessidade de trabalhar em conjunto e colaborar de forma eficaz é algo bastante universal. Por isso o processo de Design Sprint também acabou ficando bastante universal.


É uma metodologia que, necessariamente, envolve pessoas de diferentes áreas?


Na verdade, para que o Design Sprint funcione, você precisa ter pessoas com diferentes perspectivas. Aprendi isso da maneira mais difícil, trabalhando com equipes que eram compostas apenas por designers ou engenheiros. Isso é ruim, porque uma equipe resolve o problema e outra equipe tem que desenvolver a solução e isso gera muitas dificuldades. Mas não quero falar sobre elas, e sim sobre as vantagens de trabalhar com uma equipe com perspectivas e conjuntos de habilidades diferentes. Você obtém perspectivas simultâneas sobre como um sistema complexo funciona. Você tem pessoas que entendem como desenvolver o produto, como vendê-lo. Você fala com seus clientes sobre ele e recebe seu feedback. Você obtém todas essas perspectivas diferentes e, de repente, tem uma noção muito melhor do todo. Quando você tenta resolver o problema, você tem pessoas que estão chegando na solução com diferentes conjuntos de ferramentas. Outro benefício muito grande é que, quando você trabalha com pessoas que vêm de diferentes áreas de sua empresa, é mais fácil fazer com que se comprometam, porque todos sabem de onde aquilo veio, como funciona, e se empenham para construir a solução. Quando uma equipe apresenta uma solução e tenta convencer politicamente todos os demais, isso pode ser uma experiência extremamente dolorosa e frustrante. Com o Design Sprint você sai na frente nesse jogo.

Você tem experiência com alguma empresa da área de transportes?


No transporte, você tem, é claro, um conjunto diferente de desafios. Eu apliquei o Design Sprint com equipes diferentes na Uber e eu acho que a razão pela qual isso funciona é, novamente, a ideia de que todo mundo está fazendo a mesma coisa. O Design Sprint ajuda com isso. Então, quer você trabalhe na área de transportes, ou desenvolva software, ou um produto para um hóspede de um hotel, os desafios fundamentais enfrentados pelas equipes são semelhantes. Se você está tentando mudar um comportamento que as pessoas têm, tentando levá-las a adotar um novo produto, tudo se resume fundamentalmente a construir a coisa certa e explicá-la da maneira correta. Se você primeiro desenvolve algo, para depois tentar explicar, fica meio preso, porque você já tem a coisa e agora tem que fazer o possível para explicar essa coisa para as pessoas que você espera que a usem. O que é legal sobre o Design Sprint, e o motivo pelo qual eu acho que esse método é tão eficaz, é que não importa quão complexa seja essa coisa, você pode simular o ponto principal do problema, fazer uma simulação com um protótipo e testá-lo.