Notícias

Projetos para o futuro do setor

​Em um mundo cada vez mais competitivo, empresas de todos os setores estão em busca das melhores práticas para alcançar seus objetivos. Nesse sentido, o desenvolvimento de projetos é uma das peças fundamentais no quebra-cabeça corporativo. Para se ter uma ideia da importância do tema, atualmente, 20% do PIB (Produto Interno Bruto) do mundo é investido na execução dos mais diferentes projetos, segundo dados do PMI (Instituto de Gerenciamento de Projetos, da sigla em inglês). Ou seja, US$ 12 trilhões de toda a riqueza mundial são investidos para criar, construir ou gerir projetos. 

Para o presidente da IPMA (Associação Internacional de Gestão de Projetos), Raphael Albergarias, a complexidade do ambiente de negócios faz com que a definição da estratégia da organização seja um fator determinante para o sucesso da gestão de projetos. “Planejar é importante, mas ter a capacidade de realização e implementação da estratégia pretendida é a chave para a sustentabilidade de qualquer organização. Gestão de projetos trata de implementação das ideias geradas pela estratégia organizacional”, explica ele.

E é justamente pensando no ganho proporcionado às empresas que o tema integra os conteúdos programáticos das especializações promovidas pelo SEST SENAT e coordenadas pelo ITL dentro do Programa Avançado de Capacitação do Transporte. São três cursos oferecidos aos gestores do transporte dos diferentes modais: Especialização em Gestão de Negócios, ministrada pela Fundação Dom Cabral; Certificação Internacional Aviation Management, ministrada pela Embry-Riddle Aeronautical University; e Certificação Internacional em Gestão de Sistemas Ferroviários e Metroferroviários, ministrada pela Deutsche Bahn Rail Academy.

Para o diretor-executivo do ITL, João Victor Mendes, a sustentabilidade das empresas está diretamente relacionada com a gestão que é feita dos projetos. Dessa maneira, proporcionar a discussão do tema no setor de transporte contribui significativamente para a manutenção das empresas no mercado. “Independentemente da área de atuação das organizações, quando elas possuem controle sobre os seus projetos, tendem a obter melhores resultados. Em um cenário globalizado, a gestão de projetos tornou-se crucial para as organizações possuírem um diferencial competitivo”, conclui.

Mas, para que uma empresa tenha uma boa gestão de projetos, é preciso antes ter um bom processo de tomada de decisão ressalta o consultor sênior da Deutsche Bahn Rail Academy, Jürgen Halbekath. “Definir um bom gerenciamento de atividades de risco, uma boa estrutura de monitoramento e uma organização fixa com responsabilidades que determinem os itens do projeto que devem funcionar com sucesso é essencial.”  

Na visão de Halbekath, durante a gestação de um projeto é preciso ter um acompanhamento de perto e uma boa forma de controle para que se possa garantir a execução do mesmo. “É preciso combinar o monitoramento e o progresso do projeto, além de garantir a eficácia de possíveis medidas de risco. Isso permite que os gestores tenham uma base contínua para avaliar as opções de ações a serem tomadas.”

Cada setor da economia tem as suas particularidades na execução e na gestão de projetos. No setor de transporte, especificamente no ferroviário, Halbekath afirma que a gestão de projetos é um assunto essencial devido as dificuldades dos processos, do sistema e da cadeia produtiva, muitas vezes simplesmente pelo seu tamanho, pela complexidade ou por aspectos técnicos. “Por exemplo, construir uma grande estação em um ponto de junção de malhas é um grande desafio, pois é preciso coordenar todos os negócios em vários lotes: a construção do próprio prédio ferroviário, o traçado com via permanente e subestrutura, o sistema de sinalização,a  abordagem e as maneiras de saída para os passageiros”, conclui.

Para Raphael Albergarias, os investidores querem, cada vez mais, transformar incertezas em riscos. “Previsibilidade e competitividade são as variáveis essenciais para o ambiente de negócios e investimentos. A gestão de projetos trata da aplicação efetiva de recursos da empresa para entregar valor às partes interessadas, e saber quanto custa (competitividade) e o quê e quando será entregue (previsibilidade). Esse é o principal papel da gestão de projetos, dar subsídios para a tomada de decisão de investimentos e de respostas aos anseios dos acionistas e da sociedade.”

Sobre os entraves que o Brasil possui no quesito, Albergarias adverte que o país tem grandes desafios no que tange a gestão de sua imensa carteira de projetos, tanto no setor público, quanto no privado. “São grandes investimentos que exigem mão-de-obra qualificada, além de métodos, ferramentas e processos que aumentem as chances de sucesso.” E ainda adverte que os projetos entregues fora do prazo, acima do custo e sem a qualidade desejada já são quase um clichê. “Acontecem o tempo todo, e a exceção é a entrega dentro do que foi acordado”, finaliza.


Carlos Teixeira